Quando alguém nos pede para descrever a casa onde crescemos, talvez comecemos pelo número de quartos ou pela cor da fachada. Mas a memória costuma morar noutros sítios: no barulho de uma porta, no cheiro do almoço, na cadeira onde alguém se sentava sempre.
Percorre a casa com uma pergunta
Escolhe uma divisão e pergunta: o que acontecia aqui? Na cozinha, pode aparecer uma receita feita sem medidas. Na sala, a discussão sobre quem ficava com o comando. No quintal, os jogos que acabavam sempre com uma bola do outro lado do muro. Uma pergunta pequena costuma abrir uma conversa maior.
Ouve versões diferentes
Dois irmãos podem lembrar-se de casas quase diferentes, mesmo tendo crescido na mesma. Um recorda a oficina do pai, outro o corredor onde brincavam. Em vez de procurar uma versão definitiva, junta os detalhes que cada um traz. As diferenças também contam a história da família.
Se uma lembrança não coincidir com uma fotografia, conserva essa dúvida. Podes escrever «lembro-me assim» ou perguntar a outra pessoa. Não é preciso transformar todas as recordações em certezas para lhes dar valor.
Guarda as palavras de quem conta
Uma expressão repetida pela avó ou o nome que davam a um recanto pode ser mais revelador do que uma descrição formal. Anota as palavras com o contexto: quem as dizia, em que situação e o que te fazem recordar. Se gravares uma conversa, combina primeiro com quem participa.
Escolhe o que queres levar contigo
Não precisas de inventariar tudo. Três momentos ligados a lugares ou objetos podem dar uma imagem muito pessoal daquela casa. Guarda as notas junto das fotografias, numa pasta que a família consiga encontrar. Podes voltar a ela e acrescentar histórias à medida que surgem.
Em A Casa Onde Crescemos, lugares, objetos e memórias podem encontrar-se numa criação ilustrada. O ponto de partida é a vida que aconteceu ali, contada pelas pessoas que a viveram. Conhecer A Casa Onde Crescemos.






